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sábado, 9 de março de 2013

homenagem a manuel antónio pina

Hoje, no Bairro dos Livros, vamos homenagear  
Manuel António Pina
Começa tudo às 15h junto à Torre dos Clérigos

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.e foi assim...
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"a poesia [nunca] vai acabar"
com o Rodrigo Ferrão a dizer poemas no escadório da torre dos clérigos - porto

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A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar?
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Manuel António Pina | Ainda não é o fim nem o princípio do mundo calma é apenas um pouco tarde | 1974
-

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

um poema de amor

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Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa. 
 .
Manuel António Pina

Ainda não é o fim nem o princípio do mundo calma é apenas um pouco tarde | 1969
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sábado, 20 de outubro de 2012

quarta-feira, 18 de maio de 2011

manuel antónio pina

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Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.

Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
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gigões e anantes|excerto
manuel antónio pina
prémio camões|2011
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