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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

cartas de viagem | varanasi | índia

a mãe ganges - na antiga benares - varanasi - índia

















fotografia | raquel patriarca | vinteeseis.março.doismiledezasseis

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

envia-me cartas

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O projecto “ENVIA-ME CARTAS” é um registo fotográfico da beleza encontrada nas portas de entrada que ainda exibem caixas de correio com a palavra “CARTAS” remetendo-nos para reminiscências de outro tempo. De um tempo em que se punham no papel os sentimentos. Um tempo em que cada palavra tinha um peso próprio e em que a Carta tinha importância só por existir. Tinha nomes que se ligavam e que faziam da Carta um instrumento de comunicação único e personalizado. Sem legenda, estas pequenas portas eram apenas tampas de metal. Com legenda, são o convite à entrada de poetas.

O convite à entrada do amor, da tristeza, das saudades, da alegria e da ironia.



Hoje escreve-se pouco, e são já raras as cartas com juras de amor eterno,

mas as caixas de correio continuam lá, à espera que lhes mantenham o significado.

 texto e fotografia | Raul Reis
 
eu já enviei a minha. para participar, visitar ENVIA-ME CARTAS

sexta-feira, 13 de março de 2015

cartas de viagem | pukara | perú

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sorriso no mercado de pukara - perú















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No caminho de Cusco para Puno fizemos três ou quatro paragens. Pareceu-me que em todas se escolhiam os lugares mais frios mas, penso agora, que era uma questão de altitude e que o frio era uma condição difícil de evitar. Em todas as paragens havia frio e um mercado. Mercados pequenos de meia dúzia de bancas e mulheres a vender louças ou coisas de tecidos coloridos aos turistas. E mercados imensos, próprios dos dias santos com feira e romaria, as bancas a preencher as ruas, num perder de vista de objectos incoerentes. Vendia-se de tudo. Estrelas-do-mar e ervas secas, panos e roupa, écrans lcd, peças de lã acabadas de tosquiar ainda sujas e a cheirar ao corpo que antes cobriam, pilhas eléctricas e peles de cobras enormes, santinhos de louça e deuses incas de madeira, coisas de comer e coisas de brincar. E as mulheres, que vendiam de tudo sentadas no chão e rodeadas de crianças tinham, elas próprias, o olhar das crianças. Gostei das tranças e dos chapéus, das peles morenas e das mãos fortes mas demorei-me muito nos olhos delas. Demorei-me a pensar nas razões da completude, da paz que se guarda por dentro e não se vê a não ser naquele olhar. E, todavia, aquele olhar não estava à venda. Tive pena.
 

in: diário de viagem: equador e perú | vol. 2, pp. 250-251
raquel patriarca | quinze.julho.doismiletreze
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sexta-feira, 6 de março de 2015

cartas de viagem | copenhaga | dinamarca | 2

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hans christian andersen em copenhaga - dinamarca
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Ontem vi onde moravas e onde se diz que escrevias, assim na mesma forma silenciosa e abandonada com que eu agora o faço. E era por ali que nasciam as personagens a que chamavas pequenas mas que não eram pequenas, eram grandes como o tempo. Ainda são. Penso se também tinhas dúvidas em tudo. Nas ideias, nas palavras, nas vírgulas. Se escrevias assim de jaqueta e chapéu, a bengala ao lado, ou se trabalhavas em ceroulas e pantufas, uma manta nos ombros e a humidade do Øresund a magoar nos ossos. Dizem por aqui aos turistas que, se escutarmos cuidadosamente, é possível distinguir o som da tua pena a riscar veios de tinta no papel e sentir o som da tua voz a contar os contos que te são imortais. A ti e a todas as crianças. Não ouvi nada mas tenho para mim que te ouço o escrever e o contar há já muitos anos, em lugares onde nunca estiveste e, ainda assim, existes em muitas formas. É estranha esta circunstância de conhecer-te bem sem que saibas quem sou, e contudo, é verdade que em viagem se fazem as amizades mais incongruentes.

in: diário de viagem: dinamarca | pp.
raquel patriarca | quinze.fevereiro.doismilequinze
fotografia | Pedro Ribeiro 

quarta-feira, 4 de março de 2015

cartas de viagem | copenhaga | dinamarca | 1

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den lille havfrue no porto de copenhaga - dinamarca

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Não era tão bonita como tinha lido. Também não era tão feia como me tinham dito. Suponho que não ajude o facto de, por estes dias, ter nome de detergente e de eu já me sentir tão longe de princesas ou fadas. Não as sei encontrar em mim e, muito menos, interpretá-las em contos ou em estátuas. E contudo, pareceu-me serena. Quase resignada. Assim, sem ansiedade nenhuma, ninguém à espera, nenhum lugar para onde ir. É enternecedor vê-la ali, só sentada e sem frio, despertencida do mar porque está na rocha e longe da terra que eu piso. O reino daquele príncipe que, como ela, é duvidoso que exista. Foi só um momento que estivemos juntas. Depois, eu segui caminho e ela ficou.

in: diário de viagem: dinamarca, pp.
raquel patriarca | dezasseis.fevereiro.doismilequinze