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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

terceiro soneto

3.


Quero muito ser alegre e feliz.
Mas como, se não pára de chover,
Nas notícias que já nem posso ver
Toda_a estupidez que já ninguém diz

E entre_as tarefas que_eu hoje fiz
Nada encontro que possa merecer
O papel que vou estragando_a escrever
Palavras sem flor, tronco ou raiz.

A insónia que vem na madrugada,
O_impossível naquilo que prometo,
A chuva que cai e_a roupa molhada,

A rima, mais a quadra e o terceto,
Nesta coisa feia e desalinhada,
Tudo me faz mais triste que_o soneto.


Raquel Patriarca
trinta.janeiro.doismilecatorze

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

primeiro soneto

1.
umas vezes sou vida insatisfeita,
sonho, desejo, livre fantasia
que numa confortável atrofia
assume esta vida como perfeita

outras vezes arrisco e vou a jogo
salto sem rede, vontade e acção
voo e caio, ergo-me ou não,
enfrento o mar, o vento e o fogo

há duas de mim em conflito aberto
por tudo aquilo que desejo e sinto
navegando longe ou escondidas perto,

nem lhes digo a verdade nem lhes minto,
atracção ao sonho e medo ao incerto
confundem alma, razão e instinto.


b. pecorabuona
cinco.outubro.doismileoito

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

segundo soneto

2.

hoje o outono entrou-me pela alma.
sentia um vazio que'ele encontrou,
com vagar, encolheu-se e ali ficou
abandonando-se'em silêncio e calma.

sei agora que não volta a sair…
encheu o vazio e'o resto também.
eu sou sua, mas ele, de ninguém
o outono que em mim se veio fundir.

encheu-me'o corpo de cinza, de frio,
de falta, de dúvida, de desejo…
melhor assim que sentir o vazio,

eu queria mais... um sorriso, um beijo
e'ao querer, mais fundo em mim o envio
este amigo que está onde o não vejo.

b. pecorabuona
sete.outubro.doismileoito