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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

pátio

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"um pátio das traseiras"
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a janela da minha cozinha, que é grande e tem portas de varanda, dá para as traseiras do prédio. para um pátio pequeno. desalinhado dos canteiros e um tanto sujo durante o dia, com uma luz de sépia romântica durante a noite. o pátio dá para a janela da cozinha de um vizinho de um prédio ali adiante com as traseiras dele voltadas para as minhas. não sei quem é, nem nunca o vi fora daquela atmosfera amarelada da cozinha, desfocado pelo efeito rugoso do vidro. não sou grande mestre na cozinha e perco mais tempo a decidir o que fazer do que propriamente a fazê-lo. fico um pedaço acima da metamorfose entre o cru e o bem passado, mas ainda muito abaixo da delícia profissional. não sei se é da magia que se perde pelo pátio ali desenhado no meio das nossas janelas, mas todos os dias me vou cozinhando na inveja que me faz o porte e a desenvoltura que tem aquele meu vizinho na cozinha dele. é feio observar assim as pessoas e a verdade é que, como não vejo quase nada, tenho de imaginar quase tudo e não estou de facto a invadir por aí além seja o que for. acontece que a dança de gestos e condimentos que vejo naquela cozinha – ou na minha cabeça, não tenho a certeza – é tão perfeita que chego a julgar que me cheiram melhor as coisas que faço eu, no meu fogão velhinho, do lado de cá do pátio .

r.p.
vinteequatro.janeiro.doismileonze
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

yo tambien soy Garzón

"há um telhado onde o vento vem chorar"
poema de juan kruz igerabide - uma página do meu caderno


afilado es el tejado de mi casa;
llora el viento
llora cuando pasa.
______________Juan Kruz Igerabide


este poema, escrito originalmente em basco e aqui traduzido para castelhano, fala de um telhado como a única parte de uma casa que se avista de muito longe. fala do olhar de uma criança que perdeu a casa no dia em a falange lhe levou os pais. fala de um homem adulto preso na memória de um telhado pousado na linha do horizonte, onde o vento vem intencionalmente chorar. e fala de vidas e de verdades que nem o vento pode esquecer.

raquel patrairca
vinteedois.abril.doismiledez

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

breve apontamento no diário da minha ausência

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só para dizer que, embora não pareça, eu estou aqui. eu estou sempre aqui. e estou tão aqui que, não fora a pertinácia daquele que tem nome de arcanjo, eu já me tinha finado de escorbuto com os cotos roidos entalados no teclado e os miolos em papas a tentar perceber quantos títulos usava afinal d. manuel primeiro.
bem... até breve, sim?
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raquel patriarca
quediaéhoje?outubro.doismilenove
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

fragmentoisas III

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 "o meu caderno"
serve para guardar ideias, palavras, flores, papéis, memórias, bilhetes de museus, marcadores de livros, selos, ilustrações, crónicas de jornais, mapas, fotografias, anotações e restantes miudezas de que se compõe a vida...
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raquel patriarca
nove.outubro.doismilenove