terça-feira, 26 de julho de 2011

photo grafia LIV

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"silêncio"
dunas de erk chebbi - sahara - marrocos
fotografia|pedro.miguel
dezassete.julho.doismileonze
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quinta-feira, 30 de junho de 2011

curtas # 1 ou isto é lindo...

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vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção.
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José Luís Peixoto
impossível é não viver | excerto
2011
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terça-feira, 21 de junho de 2011

photo grafia LIV

"eu não fui"
(voltz, christian - eu não fui. trad. dora isabel batalim. porto: kalandraka, 2010)
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"a crocodila mandona"
(carvalho, adélia - a crocodila mandona. porto: tcharan!....2011)
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"aquiles, o pontinho"
(risari, guia - aquiles, o pontinho. il. marc taeger; trad. elisabete ramos. lisboa: kalandraka, 2008)
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fotografias|antónio.lima.reis
quinze.junho.doismileonze
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photo grafia LIII

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"intervalo"
(ou em que grau de cansaço mental se começa a fotografar os próprios pés?)
gabinete da ponta - quarto piso - adp - rua das taipas - porto
r.p.|vinteeum.junho.doismileonze
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

poema pial

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toda a gente que tem as mãos frias
deve metê-las dentro das pias.

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pia número um
para quem mexe as orelhas em jejum.
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pia número dois,
para quem bebe bifes de bois.

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pia número três,
para quem espirra só meia vez.

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pia número quatro,
para quem manda as ventas ao teatro.

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pia número cinco,
para quem come a chave do trinco.

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pia número seis,
para quem se penteia com bolos-reis

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pia número sete,
para quem canta até que o telhado se derrete.

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pia número oito,
para quem parte nozes quando é afoito.

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pia número nove,
para quem se parece com uma couve.

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pia número dez,
para quem cola selos nas unhas dos pés.

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e, como as mãos já não estão frias,
tampa nas pias!

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fernando pessoa|1888-1935

quinta-feira, 9 de junho de 2011

a chuva

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chove.
chove muito imenso.
uma chuva intencional e substantiva que – mais do que
desprender-se do céu abandonada a um guião pré aprendido
nos ciclos genéticos secretos da água –
vem precipitada em franjas gordas e verticais a ver se esmaga
as planícies e as ondas do mar.
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tenho saudades de uma chuva andadeira e confortável,
que venha regar-me as magnólias e as ervas de cheiro.
uma água chuvente sossegada e silenciosa,
sem dúvidas e sem perguntas. falta-me essa atmosfera húmida,
pálida e plácida, com cheiros castanhos que me fazem dormente.
preguiçosa.
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chove tanto que sinto a cidade ceder e afundar, os telhados
perto da calçada, numa bidimensionalidade forçada
em que as superfícies visíveis das coisas não têm volume
porque não importam. e sobra só a chuva em forma de muitas
águas. caídas em muitos ciclos de tempo.
não sei de onde lhe vem a autoridade e a força incondicionais.
um carácter que assusta e faz inveja
porque toma conta de mim. mesmo sendo água e nada mais.
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chove muito imenso e o cantar descompassado nas telhas
e nas janelas, traz contos antigos em testemunhos de outras
monções. chovem gotas que um dia rolaram da pele
escamosa de um dinossauro e que caíram em cidades perdidas.
chovem as legendas líquidas de milhares de milhões de vidas.
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chove tanto que me chove por dentro. a água cobre e ensopa as
máscaras e os figurinos que me ocupam os corredores
que não quero ter à mostra. depois escorre-se e lava tudo
na enxurrada. fica o vazio onde ecoam os
silêncios inconvenientes das perguntas que se fazem
quando não está ninguém a ver.
ensurdecem-me as dúvidas e incomoda-me a inocência de não saber
o que serei quando crescer. ensurdece-me a chuva que não pára,
e fico presa à convicção que não há nada a fazer,
e que hoje o único verbo com propriedade de acção, é chover.
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pouso o lápis, abro as portadas grandes da varanda e saio.
estou descalça. e o chão está seco.
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r.p.|oito.junho.doismileonze
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terça-feira, 7 de junho de 2011

açúcar a cair do céu

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parte do frio que me vem aos ossos
nas noites de Inverno,
é saudade dos dias que
me colhias da cama -
embrulhada nos cobertores
com muito jeitinho -
e me levavas à janela
para eu ver o açúcar a cair do céu.

aqueço na memória do teu abraço
à volta dos cobertores,
com muito jeitinho.
r.p.|junho.doismiledez
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o dia da criança foi assim!

storytelling no dia mundial da criança
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"vamos escolher"

"e acomodar"

"era uma vez..."
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"eu não fui!"

"era outra vez..."

."eram muitas vezes..."

."o cuquedo!... ai que medo!"

."xiiiiiiiii!"
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biblioteca - escola básica da torrinha - porto 
fotografias|antónio josé lima reis

quarta-feira, 18 de maio de 2011

manuel antónio pina

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Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.

Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
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gigões e anantes|excerto
manuel antónio pina
prémio camões|2011
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sexta-feira, 15 de abril de 2011

2º encontro de literatura infanto-juvenil da s.p.a.

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"2º encontro de literatura infanto-juvenil da s.p.a."

"ana margarida ramos e ana luísa amaral"

"um homem à pesca"

"valter hugo mãe e afonso cruz"

"carlitos"

"luísa dacosta, emílio remelhe e cristina valadas"

"rui spranger"

"manuel antónio pina e álvaro magalhães"

"patrícia queirós"
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fotografias: r.p.|quinze e dezasseis.abril.doismileonze
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quinta-feira, 14 de abril de 2011

telhados

às vezes peço ajuda aos telhados das casas da cidade. estão juntos porque as ruas aqui são estreitas. de umas janelas vê-se para dentro das outras, do outro lado da rua. não se vê bem. só os reflexos distorcidos ou as manchas de humidade. aqui é difícil ver-se uma cara de gente. quando quase se vê, está nua, não traz sorriso. os telhados escorrem-se da chuva uns nos outros e se duas pessoas saíssem às varandas, e estendessem os braços para a frente, conseguiam quase abraçar-se e trocar segredos ao ouvido. nunca aconteceu. eu daqui só vejo telhados. imagino quem neles se abriga e com o que ocupa o tempo. penso nas pessoa que estão sós e tenho pena delas mas não sei quem são nem se existem. eu daqui só vejo telhados.
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r.p.|catorze.abril.doismileonze
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segunda-feira, 28 de março de 2011

photo grafia LII

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"self"
piódão - serra do açor - beira
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fotografia|pedro miguel ribeiro|vinteeseis.março.doismileonze

segunda-feira, 21 de março de 2011

fragmentoisas VIII ou dia mundial da poesia

"dia mundial da poesia"
fragmentoisas - e outras colagens - em reflexos invertidos
r.p.|vinteeum.março.doismileonze

"o pão é fundamental, a poesia é supérflua. mas o homem não consegue viver sem o supérfluo. pão e poesia andam lado a lado."
ana luísa amaral|vinteequatro.fevereiro.doismileonze
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poesia

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tu –
mal sentada e meia de lado –
na madrugada da página
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e eu
que não sei nada do mundo ou das coisas da vida –
e estou longe –
a ler-te
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r.p.|vinteeum.março.doismileonze

quinta-feira, 17 de março de 2011

poesia e outras surrealidades úteis

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o dia em que atingiu a maturidade não tinha nenhum significado especial. era quinta feira e o sol tentava desarrepelar-se das nuvens. a meio caminho de atravessar a estrada, sem os vestígios da epifania ou apoteose que se esperam num momento de absoluta clarividência, descobriu uma verdade fundadora. quando pisou o passeio do outro lado, estava em paz. aceitara sem reserva a natureza desajustada de si próprio e a incapacidade molecular para compreender a aritmética das coisas da vida. aceitara a incoerência como condição essencial de existência e o absurdo de depender a felicidade nos sorrisos alheios, na poesia e noutras surrealidades úteis.
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r.p.|dezassete.março.doismileonze

segunda-feira, 14 de março de 2011

afonso e o livro

apresentação do livro infantil
'Afonso e o Livro'
uma história de Luís Filipe Cristóvão com ilustrações de Amélie Bouvier
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terça-feira, 15 de Março 10:30h-12:00h
na Biblioteca Pública Municipal do Porto

Rua D. João IV (ao Jardim de S. Lázaro)  - Porto

Esta é a história do Afonso, que gostava muito muito de um livro, embora esse livro ainda não existisse. Então, ele vai encontrar um autor, uma ilustradora, um paginador, um digitalizador, um revisor, uma gráfica, para que o seu livro passe a existir. Quando finalmente o Afonso vê o seu livro preferido numa livraria, descobre que era um leitor. Um grande leitor, como depois se verá! Afonso e o Livro retrata todo o processo de produção de um livro, num tom compreensível para crianças entre os 6 e os 10 anos. É também um livro apropriado para uma primeira leitura independente.

Entrada Livre (até à lotação do espaço)
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photo grafia LI

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"bênçãos de pedra"
minho - no caminho entre castro laboreiro e o porto
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r.p.|vinte.junho.doismiledez
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sexta-feira, 11 de março de 2011

dor

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dói-me o sono.
dói-me o estar acordada.
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custam-me as palavras
transparentes
em desalinhos de nada.
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custa-me a página vazia
densa e opaca
na vigília da madrugada.
r.p.|dois.fevereiro.doismileonze
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quinta-feira, 3 de março de 2011

livros, histórias e outras construções de papel I

páginas soltas de livros infantis
...
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"o beijo"
histórias famosas - maria o'neill - 1916
(na legenda: o príncipe beijou a irmã...)

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"espaço"
bonecos de estampar - teresa leitão de barros - 1929
(na legenda: empurrou o irmão e ficou pendurado no espaço...)
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r.p.|três.março.doismileonze

passagem breve

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é breve o tempo de se fazer alguém.
é breve o desfazer.

estende-se em espaços
curtos e arredios e esquecidos,
sem matéria. só sentidos.
onde os dedos apressados
descascam as ervilhas
mas os sonhos protegem com vagar
a pessoa que hei-de fazer-me.
crescida de versos,
breves como o mar.
r.p.|dois.fevereiro.doismileonze

depois de ler:
passagem breve|dalila moura. in: varandas de luar, p. 29

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

photo grafia L

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"o branco é a melhor de todas as cores"
neuschwanstein - baviera - alemanha
r.p.
oito.dezembro.doismiledez

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

no fundo dos teus olhos

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há um mundo
(atrás do mundo)
onde as pedras brincam –
rosadas –
com as estrelas no céu
e o vento sopra ao contrário
juntinho ao fundo do mar

há um mundo
(atrás do mundo)
onde ainda se pode sonhar
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r.p.|um.fevereiro.doismileonze
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depois da leitura de:
no fundo dos meus olhos|Dalila Moura|in "varandas de luar"|p. 12
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

photo grafia XLIX

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"série joaninha"
colecção contos de encantar - clássica editora - 1941-1949
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"impressão digital"
colecção contos para crianças - livraria lello - 1926-1936
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r.p.|um.fevereiro.doismileonze
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à minha mãe

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quisera inventar-me de
melancolias e espaços vazios
dos nomes de aves e flores -
que entretanto esqueci -

fica-me só o desejo
da liberdade, de ser
em ti

r.p.|trintaeum.janeiro.doismileonze
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depois da leitura de:
à minha mãe|Dalila Moura|in "varandas de luar"|p.48
dedicado à Dalila e - evidentemente - à minha mãe
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

pátio

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"um pátio das traseiras"
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a janela da minha cozinha, que é grande e tem portas de varanda, dá para as traseiras do prédio. para um pátio pequeno. desalinhado dos canteiros e um tanto sujo durante o dia, com uma luz de sépia romântica durante a noite. o pátio dá para a janela da cozinha de um vizinho de um prédio ali adiante com as traseiras dele voltadas para as minhas. não sei quem é, nem nunca o vi fora daquela atmosfera amarelada da cozinha, desfocado pelo efeito rugoso do vidro. não sou grande mestre na cozinha e perco mais tempo a decidir o que fazer do que propriamente a fazê-lo. fico um pedaço acima da metamorfose entre o cru e o bem passado, mas ainda muito abaixo da delícia profissional. não sei se é da magia que se perde pelo pátio ali desenhado no meio das nossas janelas, mas todos os dias me vou cozinhando na inveja que me faz o porte e a desenvoltura que tem aquele meu vizinho na cozinha dele. é feio observar assim as pessoas e a verdade é que, como não vejo quase nada, tenho de imaginar quase tudo e não estou de facto a invadir por aí além seja o que for. acontece que a dança de gestos e condimentos que vejo naquela cozinha – ou na minha cabeça, não tenho a certeza – é tão perfeita que chego a julgar que me cheiram melhor as coisas que faço eu, no meu fogão velhinho, do lado de cá do pátio .

r.p.
vinteequatro.janeiro.doismileonze
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

once upon another age

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"por mais que se olhe só se vê a fralda"
e quem diz mal das fraldas descartáveis nunca sentiu a angústia de querer andar e não poder
varanda das tias – rua sá da bandeira – manteigas – serra da estrela
data e autoria da foto: ?
modelo: young raquel patriarca
legenda: older and wiser raquel patriarca
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

primeira partida

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quando veio a madrugada
os pedaços da vida
arrumados em caixotins
esperavam,
repousados,
a hora da partida

raquel patriarca
quinze.junho.doismiledez

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

photo grafia XLVIII

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----------------------- "like a bird on a wire
------------------------like a drunk in a midnight choir
------------------------i have tried - in my way - to be free"
poema: leonard cohen
a caminho da praia - praia de mira
foto: raquel patriarca
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

o amanhã

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o lado mau de se passar a noite a ler como se não houvesse amanhã é que, às vezes, de manhã o amanhã aparece...
r.p.
treze.janeiro.doismileonze
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photo grafia XLVII

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"a... b... c"
maurício e beatriz: contos de maria o'neill com ilustrações de santos silva
lisboa: parceria antónio maria pereira, 1920
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r.p.
treze.janeiro.doismileonze
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tesouro intangível

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estava uma aranha na parede
junto à esquina do postigo,
quem vem a descer as escadas do sobrado.
uma aranha enorme.
acto contínuo tirei o sapato e
esborrachei-a.

o bicho estava grávido
e um enxame de miniaturas de cabecinhas
com patas a mais
desceu a parede até ao soalho -
vagarosamente.
segui-o com o olhar
que se me foi encharcando de lágrimas
com sabor a pó e a culpa.

tu vieste saber de mim.
deste-me colo para eu chorar a vergonha
e perdoaste-me no fim.
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r.p.
vinte.julho.doismiledez
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photo grafia XLVI

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"tenho saudades de ir passear por aí"
beira da estrada - de piódão para góis - serra do açor
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r.p.
vinteeseis.junho.doismiledez
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fotocionário V: triénio

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triénio: s.m. período cronológico ou medida de tempo equivalente a três anos. mil e noventa e cinco dias. vinte e seis mil, duzentas e oitenta horas. marco temporal que atingiu o meu blankbluebook desde o passado dia nove.
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r.p.
onze.janeiro.doismileonze
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photo grafia XLV

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"era uma vez uma velha que tinha um gato..."
antiga sala infantil - biblioteca municipal de s. lázaro - rua do saco, 1 - lisboa
r.p.
onze.janeiro.doismileonze
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