segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
curious expeditions
traduções na bricadeira I
o original:
"the big rock candy mountain"
one evening as the sun went down
and the jungle fires were burning,
down the track came a hobo hiking,
and he said, "boys, I'm not turning
I'm headed for a land that's far away
besides the crystal fountains
so come with me, we'll go and see
the big rock candy mountains
in the big rock candy mountains,
there's a land that's fair and bright,
where the handouts grow on bushes
and you sleep out every night.
where the boxcars all are empty 
and the sun shines every day
and the birds and the bees
and the cigarette trees
the lemonade springs
where the bluebird sings
in the big rock candy mountains.
in the big rock candy mountains
all the cops have wooden legs
and the bulldogs all have rubber teeth
and the hens lay soft-boiled eggs
the farmers' trees are full of fruit
and the barns are full of hay
oh I'm bound to go
where there ain't no snow
where the rain don't fall
the winds don't blow
in the big rock candy mountains.
in the big rock candy mountains
you never change your socks
and the little streams of alcohol
come trickling down the rocks
the brakemen have to tip their hats
and the railway bulls are blind
there's a lake of stew
and of whiskey too
you can paddle all around it
in a big canoe
in the big rock candy mountains
in the big rock candy mountains,
the jails are made of tin.
and you can walk right out again,
as soon as you are in.
there ain't no short-handled shovels,
no axes, saws nor picks,
I'm bound to stay
where you sleep all day,
where they hung the jerk
that invented work
in the big rock candy mountains.
I'll see you all this coming fall
in the big rock candy mountains
a tradução:
"as montanhas de rebuçado"
uma tarde, enquanto o sol se punha
e a floresta verde ardia,
p’lo caminho veio um vagabund’andando
e disse “migo, eu não vou ficando,
eu cá vou-m’embora, p’ra’uma terra longe,
passando o mar p´ro outro lado,
venham comigo ver, vamos conhecer
as montanhas de rebuçado.
nas montanhas de rebuçado,
há uma terra linda de morrer,
nasce esmola nos jardins,
dormir na rua é um prazer.
os espaços são abertos, 
todos os dias são de verão,
o som das aves é gentil,
nas árvores d’sg ventil,
e as fontes de limonada,
para levar a namorada,
nas montanhas de rebuçado.
nas montanhas de rebuçado
a polícia não tem pés,
os cães são desdentados,
e as galinhas põem ovos estrelados.
as árvores dão muita fruta,
e os campos cereal,
cá o Xixas vai
p’a onde a chuva não cai,
e o vento não sopra,
e donde sol não sai,
nas montanhas de rebuçado.
nas montanhas de rebuçado.
não há peúgas p’a lavar,
corre um ribeirinho de bagaço,
por onde s’anda a passear.
ninguém lá tem mau feitio,
não á feitores nem patrões,
há um lago de guisado,
e fontes de mel coado,
onde se pode navegar,
com um barco para remar,
nas montanhas de rebuçado.
nas montanhas de rebuçado.
a prisão tem grades de latão,
para se poder voltar a sair,
mal se passa o portão.
não há sacholas nem picaretas,
alfaias ou ferramentas,
e a vida segue e calha,
por dá cá aquela palha,
e mataram o paspalho,
que inventou o trabalho,
nas montanhas de rebuçado.
é lá que vos espero,
nas montanhas de rebuçado.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
castelos e princesas
almourol - rio tejo - portugal
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
the power of the dark side
eu descobri o meu recentemente. é uma criatura horrenda que eu devia fazer desaparecer num canto escuro da casa mas, como ainda sou um bocado inconsciente dos seus malefícios e arrogante da minha capacidade de o controlar, vou apresentá-lo juntamente com uma teoria de trazer por casa que desenvolvi desde que... bem, desde que fomos devidamente apresentados.
devo, em primeiro lugar, esclarecer que não existe um eu e um ele... sou só eu mas em cambiantes de luz diferentes... muito diferentes mesmo!
em segundo lugar, e vou já arrancar com a dita teoria, acredito que todos temos um lado negro mais ou menos normal, andadeiro, quase descartável, que aparece quando nos chega a mostarda ao nariz ou nos pisam os calos. um nós mal-disposto e agreste que surge em alturas diversas... no meio do trânsito, a ver futebol, na repartição de finanças ou a fazer compras de natal no shopping... é diferente para cada um.
mas há um outro nós, o nosso verdadeiro e terrível Lord Darth Vader, que é único e irrepetível e que representa o dom, ou A Força, de cada um mas aplicada ao mal!
passo a explicar. eu gosto de escrever. toda a vida quis escrever. o meu sonho é ser escritora. é o que me faz feliz. é o cantinho do mundo em que respiro melhor e encontro paz e solto a alma. é, se quisermos, a actividade que faz fluir A Força dentro de mim.
e é exactamente aí que o meu Lado (Mais) Negro vem atacar... onde há mais energia, mais capacidade... mais Força.
o que me acontece é que, sem eu perceber muito bem como, acende-se um rastilho de maldade que depois não consigo controlar. leio um texto com o qual não concordo, ouço uma opinião de que não gosto ou vejo algo que me desagrada... e click! dispara uma reacção em cadeia que é na maioría das vezes evitável e quase sempre descomunalmente exagerada.
começo normalmente – tenho andado a observar-me... – a arranjar-me na cadeira, a dobrar e esticar os dedos, a ajustar o computador na minha frente e debaixo das mãos. depois começo a escrever... e o barulhinho delicado das teclas transforma-se nos compassos aterradores da marcha que, no Star Wars, acompanha sempre a entrada em cena do Lord Vader, do Imperador, da Death Star, do Exército de Clones e por aí fora. É uma pena eu não conseguir reproduzir aqui o som... sabem qual é: POM-POM-POM-POM-PO-POM-POM-PO-POM, adiante!
depois... bem, depois é um nunca mais acabar de reparos irónicos, trocadilhos maldosos, críticas mesquinhas... sarcasmo, cinismo, veneno puro... do pior que se pode por aí encontrar. é horrível!
de início ainda pensei que fosse uma incursão literária pelos tradicionais géneros de escárnio e maldizer, mas as mais das vezes não é. é arrogância, é julgamento gratuíto, é egoísmo e é maldade.
e o pior de tudo é que um destes dias posso acabar por ofender alguém. mesmo a sério. e não queria nada. portanto, vou fazer o seguinte compromisso: sempre que me der um destes achaques, e não conseguir de maneira nenhuma fazer delete, vou assinar...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
me
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
memória visual III
criptó-pseudónimos temáticos
portanto, a quem diz que o bibliotecário lê, mas não escreve... é mentira, digo-lhe eu!
e foi assim que dei comigo a abrir pastas e ficheiros no disco rígido, com títulos imaginativos como doc1 e doc2, e a revolver gavetas e caixinhas à procura de todas as idiotices que um dia, por uma ou outra razão, me lembrei de escrever.
pouco depois já estava a editar o conteúdo do meu velho scriptorium no meu recém-nascido blog. nesta fase surgiu um questão duvidosamente pertinente, que vou partilhar: havendo no reportório textos tão antigos e outros tão recentes, de géneros literários diversos, e de temas tão distantes, não me pareceu bem que tivessem todos a mesma autoria. tinha apenas o blank blue booker, criador do blog e autor de artigos de suma importância, como este, aliás.
tive uma ideia, que na altura me pareceu brilhante, e agora... bem, agora nem por isso, mas ainda assim, cá vai: inventei um conjunto de pseudónimos literários, que me soaram bem e minimamente convincentes, com conteúdos e significados subliminares um pouco subtis, mas perfeitamente acessíveis a qualquer pessoa que tenha lido o código da vinci.
e assim nasceu r. bardchild, que é a autora das coisas mais antigas, quando eu era uma criança e queria ser poeta quando crescesse... e um bardo é um tipo de poeta.
e assim nasceu a b. pecorabuona, cujo nome desdobrado e traduzido de italiano para português significa ovelha mansa que é, na verdade, um dos significados do meu nome real, que é de origem hebraica, e que vai assinar a poesia produzida depois dos 18 anos.
e assim nasceu r. bewusstsein, que significa consciência em alemão e que vai assinar os textos de opinião... ou para aí virados.
e assim nasceu a parelha de gémeos m. artmaker e w. eartaker, responsáveis pela selecção de imagens e pela escolha de letras de músicas, respectivamente.
todas as citações são evidente e devidamente assinadas pelos seus autores ou pelos seus pseudónimos.
passado uns tempos, e perante uma manifesta falta de reacção de certa pessoa que permanecerá anónima, vim a descobrir que afinal, a falta de reacção se devia ao facto de não ter a mais pálida ideia de que era eu, e não estes obscuros senhores, a autora das publicações! foi uma surpresa para ambos... sobretudo para mim que vi os meus esquemas tão bem elaborados passarem de enigma interessante a tolice da pior espécie... decidi desfazer os enganos e pronto... a partir de agora vou assinar como bem me apetecer e me der na real gana.
tu, sabes quem és, estou a falar contigo. não voltes a duvidar de mim.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
a barata patarata
numa linda terra,
entre a cama do rio
e as costas da serra,
numa casa pequenina
atrás de um rodapé
vivia uma barata
que era um pouco xoné!
era tão tola, tão tola…
que nem dá p’ra acreditar!
tinha as patinhas no chão
mas a cabeça no ar.
cada dia ela inventava
asneiras: tolices sem fim
ontem foi apanhar sol,
e perdeu-se no jardim!
o que eu queria que o meu filho soubesse...

que há-de superar tudo e a si mesmo,
e que há-de ser feliz e forte e grande,
que deve acreditar e teimar e lutar e perder e ganhar,
que no seu coração não há limites.
que a vida o vai magoar muito,
e que o mundo não é o que parece,
que vai perder sonhos, pessoas, amores...
e que às vezes vai ser infeliz e fraco e pequenino.
mas não faz mal, porque eu...
eu amo-o incondicionalmente.
sábado, 19 de janeiro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
a minha casa II
tanto para mim,
tão pouco para os outros.
é tão grande quanto a minha imaginação,
tão pequena quanto a minha tristeza,
tão longa como a minha vida,
tão estreita como a minha idade.
a minha casa tem segredos, mistérios, alegrias e surpresas.
ela pode levar-me até onde forem os meus sonhos.
é uma casa disforme, presa no fundo do mar.
uma vivenda abstracta que voa com o vento.
uma pequena cabana no meio de uma planície.
um quartinho apertado no centro de uma nuvem.
a minha casa I
sempre? não.
só quando falo sozinha, como agora.
onde é?
nem eu sei.
é em mim, na minha imaginação.
como é?
é linda e muito grande!
não tem portas nem janelas, nem tecto nem chão.
nem paredes, nem cantos.
como entro?
a escrever, a pensar, a dormir.
basta fechar os olhos,
e entro na minha casa,
tão linda e tão grande,
que nem eu a conheço bem.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
thysanura, o bichinho da cultura
(eu vou já explicar do que se trata)
é um bicho de nome thysanura,
e a sua maior paixão é a leitura.
é muito sábio. como um professor!
aprender tudo é o seu amor.
querem saber como ficou ele assim?
vive numa biblioteca, claro que sim!
janeiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
a caverna
Depois... Bem depois o homem evoluiu, evoluiu, evoluiu, até se tornar num “ser civilizado”. Foi controlando a natureza para melhorar a sua vida, foi construindo umas coisas e destruindo outras, tomou decisões históricas certas e erradas, fez coisas bem e mal... Mas seja qual for a herança que nos deixou esse homem, essa é a nossa herança, e é com ela e a partir dela que temos de traçar o nosso caminho daqui para o futuro.
O problema em mãos é que todos nós já devíamos estar fora da caverna, não fisicamente, do que eu falo é das nossas consciências. O facto de sermos conscientes do que nos rodeia acarreta certas responsabilidades. A responsabilidade de estarmos alerta, de defendermos aquilo em que acreditamos, de protegermos a natureza, de não tolerarmos as atrocidades feitas aos direitos humanos, de procurarmos sempre saber a verdade das coisas e não o que nos tentam vender em horário nobre. Temos a responsabilidade de nos continuarmos a deslumbrar com as maravilhas do mundo.
Não é fácil encarar estas responsabilidades. É preciso ter fé na alma humana, acreditar nas capacidades do homem, na ciência, na natureza, na beleza e na magia de todos os dias. Tudo isto se torna cada vez mais difícil quando a toda a hora vemos e ouvimos o monte de desgraças que vão por esse mundo fora. Por outro lado continuamos a ser “encadeados” – não pelo sol – mas pelos discursos ininteligíveis dos governantes, pelo mau humor de quem encontramos no caminho, pelas montanhas de lixo humano e intelectual que nos entra pela casa a dentro quando ligamos a televisão.
Mas será que a culpa é só deles ? Quantos de nós aderem ao mau humor, ao imobilismo, quantos viram a cara, quantos mudam de canal ou, pior ainda, engolem o que nos é dado?... Nós vamos aos poucos cedendo, aderindo à idiotice geral – que é simultaneamente efeito e veículo da dita globalização. Vamos deixando de ajustar os olhos e as consciências à realidade. Basta-nos que as coisas “pareçam” estar minimamente bem. Basta-nos a ilusão de que somos livres e que vivemos de forma civilizada. Mas até que ponto nos estão a iludir, e a partir de que momento nos estamos a iludir a nós próprios? Se somos livres e civilizados, o que nos impede de mudarmos o que achamos que está mal? Será o sentimento que temos de que não vale a pena? De que já nada vale a pena?
Estamos a regressar à caverna, minha gente! E nem sequer é uma caverna escolhida por nós, porque não é uma escolha plenamente consciente, é um caminho traçado pela convicção de que não há alternativas. Eu não tenho muitas certezas na vida, mas tenho uma: há sempre uma alternativa.
Eu até posso um dia viver numa caverna, mas não agora, e nunca nesta. Ainda tenho fé na alma humana, acredito nas capacidades do homem, na ciência, na natureza, na beleza e na magia de todos os dias. Ainda tenho fé na alma humana e ainda penso que um pequeno gesto pode criar grandes mudanças. Ainda sinto que vale a pena.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
a biblioteca
1994
manifesto ao manifesto
na verdade, grande parte do manifesto da ifla/unesco acerca das bibliotecas públicas se pode aplicar às bibliotecas escolares e universitárias, sobretudo se tivermos em conta que este manifesto é um afirmar de missões, um comprometimento para com a educação e a cultura.
a biblioteca é muito mais do que o serviço, e muito mais que o espaço. a ideia de “templo de conhecimento” é sempre a primeira que me surge, evocando uma imagem, em tempos descrita por um bibliotecário, que afirmava que numa biblioteca devemos procurar ter todo o tipo de saber, e, se não pudermos ter todas as respostas, poderemos pelo menos ter os “mapas” dos caminhos para essas respostas. e se um dia alguém entrar e perguntar onde está Deus, é com toda a serenidade que devemos responder: Deus está no piso 1, nas estantes centrais da parede norte…
b. b. booker
manifesto

1994
ler
o planalto de Gizé, as ilhas do Pacífico, o cume do Everest, o deserto do Saára, as margens do Amazonas e do Mississipi, o Pólo Sul, o Jardim do Éden, a Terra Média, a Lua…
eu conheci…
Platão, Cleópatra, Gagarin, o Papa Bórgia, o Rei Artur, Alexandre Magno, a Madre Teresa, Romeu e Julieta, D. Quixote, Sherlock Holmes, Harry Potter…
eu vi, eu senti…
a Cidade de Deus de Santo Agostinho, os Astros de Galileu, a Monalisa de Da Vinci, a Nona do Bethoven, a Utopia de Thomas Morus, a estratégia de Maquiavel, o Beijo de Klimt, o Nome da Rosa de Umberto Eco …
eu vivi, eu chorei e ri…
eu li…


