quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

chuva no pó

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o som que se ouve
quando as gotas de chuva
tocam no chão
nas tardes quentes de verão
cheira a memória
a qualquer coisa 
que um dia houve
mas agora não

uma companhia
meio ilusória
feita de silêncio
e de pó
onde as gotas
de chuva
tocam o chão
nas tardes frias de verão

e eu
fico só

raquel patriarca
vinteeseis.agosto.doismilenove
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segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

photo grafia XXXV

"o fim da espera"
floriu a minha primeira magnólia de dois mil e dez - na frente da minha janela - porto
raquel patriarca
cinco.fevereiro.doismiledez

photo grafia XXXIV

"porto pela manhã"
vista da ponte da arrábida, do rio e do nevoeiro - calçada da arrábida - porto
raquel patriarca
dois.fevereiro.doismiledez

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

fragmentoisas VI


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..............era uma vez um dia em que o mundo nasceu
..............assim a meio da manhã quando coisas têm preguiça
..............das conchas do mar caiu um pequeno sorriso
..............o sorriso espirrou e o mundo estremeceu e
..............de toda a parte
..............choveram lápis de carvão e pincéis
..............coloridos como rebuçados
..............quando tocaram no chão acabadinho de inventar
..............transformaram-se em árvores e pássaros e estrelas
..............e mil e uma criações que se equilibravam
..............umas nas outras
..............e foi assim que o mundo nasceu
..............descoberto com carinho nas pontas dos dedos
..............de duas irmãs
..............que se chamavam natureza e arte
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para a rute e a mafalda com carinho e orgulho
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raquel patriarca
doisequatro.fevereiro.doismilede
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quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

fotocionário II: pedaços

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pedaços: s. m. (plural) - partes, porções, bocados ou fragmentos. quaisquer partes de um todo físico ou moral, separadas da complementaridade que lhes empresta consistência, razão e conforto. fazer em pedaços: rasgar, desfazer, desmembrar, desmoronar.
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raquel patriarca
vinteecinco.janeiro.doismiledez

quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

história do porto

o jornal de noticias e a quidnovi vão lançar uma colecção de livros sobre história do porto, que chega às bancas a partir do próximo domingo, dia dezassete de janeiro. são quinze volumes com periodicidade semano-quinzenal, ao longo dos quais se acompanha a história da cidade das origens aos dias de hoje.
o projecto promete ser uma simbiose bem equilibrada entre o rigor de fazer a história e a magia de contar uma história. entre aqueles que assinam os vários volumes colaboram historiadores conceituados e jovens investigadores. o objecto em si é muito bonito e nada caro, em papel couché, com ilustrações, mapas e fotografias.
o mais importante é que eu e mais dois amigos, o flávio miranda e a joana sequeira - acompanhados de perto por outro amigo maior que nós de nome luís miguel duarte - vamos ser publicados pela primeira vez em formato ‘livro’ (conjunto de cadernos impressos e cozidos ordenadamente e formando um bloco) e estamos muito contentes com isso!
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.para mais informação sobre a colecção e como se pode adquirir basta clicar
aqui
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raquel patriarca
treze.janeiros.doismiledez

fragmentoisas V


______ sabes...?
___________________ o pouco que sou
_____________________________ tenho ou faço
______________________.. é sombra e é silêncio
___________________ na maravilha
____________________________.. do teu abraço


para o pedro
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raquel patriarca
doze.janeiro.doismilede
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terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

ser feliz

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a maior parte das vezes não chego a perceber se é realmente possível ser-se feliz ou se tudo o que nos resta é recusar teimosamente a aceitar que o mundo chegou mesmo ao ponto em que está…
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raquel patriarca
doze.janeiro.doismiledez
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domingo, 10 de Janeiro de 2010

ontem

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ontem o meu
blankbluebook
fez dois anos 
e como eu não queria 
deixar passar o ocasião
sem assinalar o dia
decidi fazer o
apontamento
da única maneira
que só eu podia:

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texto: raquel patriarca
fotografia: armando novais
dez.janeiro.doismiledez
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segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

dezassete



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há dezassete anos olhei para dentro de um abismo
azul

depois saltei e perdi-me e tudo o que se veio depois
ainda está por explicar
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porque eu, em vez de cair,
afinal
aprendi a voar.
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.raquel patriarca
quatro.janeiro.doismiledez
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árvore de natal


a árvore de natal
é um símbolo da vida e não pertence a de nenhuma religião específica. a sua tradição perde-se na noite do tempo. os antigos egípcios levavam galhos de palmeira para dentro das casas no dia mais curto do ano, em honra do triunfo da vida sobre a morte. durante a saturnália - festival de inverno em homenagem a saturno, deus da agricultura - os romanos decoravam uma divisão da casa com um pinheiro. os povos de cultura celta enfeitavam carvalhos com maçãs douradas para celebrar o solstício de inverno. a árvore do paraíso é símbolo da festa de adão e eva, celebrada no dia vinte e quatro de dezembro. a primeira referência à ‘moderna’ árvore de natal é do século dezasseis e conta como as famílias decoravam pinheirinhos com papéis coloridos, frutas e doces, com o cuidado de incluir doze ornamentos para garantir a felicidade do lar. este costume estende-se por toda a europa e chega ao novo mundo no início do século dezanove. a tradição cristã propõe que a forma triangular do pinheiro representa a santíssima trindade.
raquel patriarca
quatro.janeiro.doismiledez

quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

o dia de natal

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raquel patriarca
vinteequatro.dezembro.doismilenove
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gingóbel-gingóbel...



feliz natal
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raquel patriarca
vinteequatro.dezembro.doismilenove
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terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

fotocionário I: irmã

 
irmã: s. f. - criatura estranha, difícil de perceber e quase nunca domesticável, que aliena afectos, invade espaços e arrebanha pertences, sem a qual deixamos quase sempre de fazer sentido e perdemos a única testemunha credível da nossa própria vida. em casos excepcionalmente raros pode levar-nos a passear de reboque no triciclo... que é muito muito muito bom.
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parabéns lálá
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raquel patriarca
onze.dezembro.doismilenove

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

breve apontamento no diário da minha ausência

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só para dizer que, embora não pareça, eu estou aqui. eu estou sempre aqui. e estou tão aqui que, não fora a pertinácia daquele que tem nome de arcanjo, eu já me tinha finado de escorbuto com os cotos roidos entalados no teclado e os miolos em papas a tentar perceber quantos títulos usava afinal d. manuel primeiro.
bem... até breve, sim?
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raquel patriarca
quediaéhoje?outubro.doismilenove
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terça-feira, 17 de Novembro de 2009

fragmentoisas IV

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 "a memória do mar"
colagens com papéis, desenhos e coisas...
raquel patriarca
doze.novembro.doismilenove
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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

pérola de sabedoria dita por quem sabe muito mais que eu ou uma notícia de última hora

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"o livro morreu... viva o livro!"
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j.e.l.
umdia.março.doismilecinco

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e eu, que era jovem inocente, teimosa e ignorante, ouvi e respeitei e calei... mas sem compreender ou aceitar. hoje sou, pela força das circunstâncias, muito menos inocente, ainda meia teimosa e, porventura, igualmente ignorante, não só ouço como vejo, compreendo e posso até concordar com o sentido e razão da mensagem... aceitar, é que nunca!
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raquel patriarca
trinta.outubro.doismilenove
(data da reencarnação do livro)
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photo grafia XXXIII

"livro - conjunto de cadernos, manuscritos ou impressos, cozidos ordenadamente e formando um bloco. transcrição do pensamento por meio de uma técnica de escrita..."
exposição de fotografias de paulo gaspar ferreira - anima vegetalis: imaginário botânico do mosteiro de tibães


texto: padre theodoro de almeida, 1722-1804 - [excerto de] recreação filosofica ou dialogo sobre a filosofia natural, para instrucção de pessoas curiosas, que não frequentárão as aulas. 5ª ed. lisboa: régia officina typografica no anno m.dcc.lxxxvi
fotografia: raquel patriarca
vinteequatro.outubro.doismilenove

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

compromisso escrito de entrega incondicional ou pensamentos convictos ausentes de inconstância:

quero escrever-te
o encanto e magia
(excepcionais)
de descobrir em ti
o que conheço tão bem
e que afinal
é um mundo mais.

um dia –
há muito tempo –
disse-te que escrevesses
o que sentias
o que pensavas
e às vezes
(muito baixinho)
me dizias

tu escreveste

escreveste
as folhas secas
do outono
escreveste
as conchas brancas
do mar

escreveste
nas cores do mundo
que era o teu

e o que escrevias
era para mim

era eu

ainda tenho
como tesouros
as folhas secas do outono
as conchas brancas do mar

em palavras e memórias
que me deste a guardar

hoje quero ser eu
a escrever
por ti
para ti
escrever-te a ti

ser testemunha
sem julgamento
beiral, caminho, espelho
o que precises
em cada momento .

a irmandade cúmplice
de silêncio triste
ou sorriso aberto

mas sempre sempre
comigo por perto

raquel patriarca
onze.junho.doismilenove

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

retrato do que vejo

descobri no outro dia, assim por acaso e como quem não quer a coisa, uma loja de tarequitos e traquitanas, cheia de cor, doçura e um sem número de pequenas maravilhas criadas com carinho, bom gosto e boa disposição entre os dedos de muitos artistas. as roupas são bonitas e diferentes, as carteiras lindíssimas, os alfinetes uma perfeição, os marcadores de livros únicos e baratos, os sorrisos abertos e generosos, a simpatia imensa e gratuita. e como se tudo isto não bastasse, ouve-se por lá boa música e o ar cheira a rebuçado!
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quem, como eu, já se vai fartando da parelha ‘shopping & franchising’ mas gosta de dar prendas lindas no natal, é bem vindo ao número quatrocentos e quinze da rua do almada, do lado esquerdo de quem sobe, mais ou menos a meio caminho entre a praça filipa de lencastre e a praça da república. é muito muito fácil: vai uma pessoa por ali acima toda contente a assobiar quando, de repente, espreita por uma janela e se vê mesmo em frente a uma casa de fadas... é aí! as duas lindas fadas que lá vivem - e que tanto podem ser encontradas lá dentro muito atarefadas a bordar e a pintar, como sentadinhas na soleira da porta ao lado a apanhar solzinho nas pernocas e nas asinhas - respondem pelos nomes que lhes emprestou a primavera...
joana e margarida
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"retrato do que vejo"
uma casa de fadas - rua do almada, 415 - porto
raquel patriarca
vinteesete.outubro.doismilenove