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sábado, 23 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
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"a match made in heaven"
.raquel patriarca e marta jacinto - parceiras de bicheza
casa da música - porto
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Marta
Jacinto nasceu em 1979 no Algarve e é conhecida entre os seus amigos como
Martolita. Vive junto ao mar e ocupa os dias a ilustrar livros, mas o que
gostava verdadeiramente era de ser astronauta. É praticante regular de lutas
com almofadas, se fosse um animal seria uma foca. Dentro de si habita uma grande
variedade de espécies de bichos e coisas assim. Gosta de ver desenhos animados em pino e de fazer
queques de laranja e canela. Não usa bigode e dá nomes a todas as árvores que
conhece.
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Raquel
Patriarca, conhecida só por Raquel, nasceu em 1974 em Benguela. Vive no Porto
numa casa cheia de livros e brinquedos, com uma magnólia no jardim onde a relva
está, quase sempre, grande demais. Faz muitas perguntas sobre as histórias das
coisas, descalça as sapatilhas com os atacadores apertados e se fosse um animal
seria um ornitorrinco. É bibliotecária e colecionadora de marcadores de livros.
Gosta de gatos, pijamas felpudos e de leite com chocolate. Quando for grande
quer ser poeta.
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fotografia: susana ferreira | ilustração: marta jacinto | texto: raquel patriarca
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
a abelha zarelha
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HÁ UMA NOVA MÚSICA NO MUNDO!
E É ZUM-UM ZUM-UM ZUM-UM...
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Está quase quase mesmo mesmo a chegar a ABELHA ZARELHA!
Podemos encontrá-la nas livrarias já a partir do dia 23 de Junho.
As mamãs (a Marta e Eu) estamos muito felizes com a chegada da Zarelhita e queremos apresentá-la a todos os nossos amigos.
Esperamos que gostem tanto dela como nós, e que se divirtam.
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Podemos encontrá-la nas livrarias já a partir do dia 23 de Junho.
As mamãs (a Marta e Eu) estamos muito felizes com a chegada da Zarelhita e queremos apresentá-la a todos os nossos amigos.
Esperamos que gostem tanto dela como nós, e que se divirtam.
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VUM-UM... e mai nada!
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A Abelha Zarelha
texto de Raquel Patriarca. ilustração de Marta Jacinto.
Vila do Conde: Booklândia QuidNovi, 2012.
(Livros com Bicho; 1)
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
história de encantar na papillon
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Fica o convite para se juntarem a nós.
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no sábado, dia 2 de junho, entre as 11.00h e as 13.00h, na Papillon Vagabond vamos costurar um fato novo para o rei.
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a partir da versão escrita por Xosé Ballesteros e ilustrada por João Caetano de um conto clássico de Hans Christian Andersen "O fato novo do Rei" vamos contar histórias, brincar e celebrar o Dia Mundial da Criança.Fica o convite para se juntarem a nós.
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organização: Maria José Santos
apoios: Papillon Vagabond | Kalandraka Portugal
leitura: e brincadeira Raquel Patriarca
.Papillon Vagabond - Avenida Boavista 3523, Loja 9, Porto, Portugal 4100-139
mais informação em: Papillon Vagabond | Kalandraka Portugal | Evento
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
photo grafia LVIII
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"homo dei sum"
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página de manuscrito em pergaminho
cinco.agosto.doismileonze
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raquel patriarca
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curtas # 3 e meio
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não
é ofício do poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que
poderia acontecer com a verossimelhança possível.
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Aristóteles, 384 a.C. - 322 a.C.
Arte Poética, cap. IX
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a história de como o azeite
.
e profundamente careca
que vivia numa ramada seca
em Azeitão.
.
Falava imenso,
sempre muito alto –
com a sua cara de pele lustrosa
virada para cima a brilhar –
na toada discursiva
de quem sabe tudo,
peito inchado,
sobrolho franzido e
braços a gesticular.
.
Gabava-se de ser Rei
das Hortas, das Oliveiras e da Criação,
Senhor dos Lagares do Azeite,
rico que nem sabia quanto!
Navegador d’ aquém e d’ além
do Regato Pingado da Rega
Imperador das varetas,
e isto e aquilo e mais que Santo.
Tinha só uma folha pelada
que chamasse sua,
o resto era basófia e
refinadíssimas balelas,
está mesmo bom de ver!
Por dentro
tinha um caroço
preto e duro como os outros,
e sangrava a mesma matéria,
densa e viscosa ao arrefecer.
.
E lá andava muito empinado,
a rebolar por todo o lado,
a arengar à esquerda e à direita
com voz cava de cavalheiro.
Mas houve um dia
em que perdeu a compostura,
estalou-se-lhe o verniz da casca
e mostrou a polpa de arruaceiro:
.
Alguém o chamou
sem as untuosidades de que ele gostava:
- Anda cá, ó Azeitona!
E ele parou de repente
engasgou-se-lhe o caroço,
passou-lhe uma coisa pela vista,
foi direito ao outro e zás!
Acertou-lhe uma tapona.
.
E estavam todos tão cansados
das retóricas e tiques de
Dom Azeite Azeitoninho de Monte-Plano Lampante Reguengos de
[ Oliveira Carocilho e Alarcão
que foi um deleite:
É que o outro
era maior e não se ficou,
apanhou-o pela largueza da baga,
e apertou
e triturou
e torceu
e espremeu
e sacudiu
até que nada sobrou,
senão uma pocinha de azeite.
.
Dom
Azeite Azeitoninho de Monte-Plano Lampante Reguengos de
[ Oliveira
Carocilho e Alarcão
Era
um senhor rubicundoe profundamente careca
que vivia numa ramada seca
em Azeitão.
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Falava imenso,
sempre muito alto –
com a sua cara de pele lustrosa
virada para cima a brilhar –
na toada discursiva
de quem sabe tudo,
peito inchado,
sobrolho franzido e
braços a gesticular.
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Gabava-se de ser Rei
das Hortas, das Oliveiras e da Criação,
Senhor dos Lagares do Azeite,
rico que nem sabia quanto!
Navegador d’ aquém e d’ além
do Regato Pingado da Rega
Imperador das varetas,
e isto e aquilo e mais que Santo.
Tinha só uma folha pelada
que chamasse sua,
o resto era basófia e
refinadíssimas balelas,
está mesmo bom de ver!
Por dentro
tinha um caroço
preto e duro como os outros,
e sangrava a mesma matéria,
densa e viscosa ao arrefecer.
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E lá andava muito empinado,
a rebolar por todo o lado,
a arengar à esquerda e à direita
com voz cava de cavalheiro.
Mas houve um dia
em que perdeu a compostura,
estalou-se-lhe o verniz da casca
e mostrou a polpa de arruaceiro:
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Alguém o chamou
sem as untuosidades de que ele gostava:
- Anda cá, ó Azeitona!
E ele parou de repente
engasgou-se-lhe o caroço,
passou-lhe uma coisa pela vista,
foi direito ao outro e zás!
Acertou-lhe uma tapona.
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E estavam todos tão cansados
das retóricas e tiques de
Dom Azeite Azeitoninho de Monte-Plano Lampante Reguengos de
[ Oliveira Carocilho e Alarcão
que foi um deleite:
É que o outro
era maior e não se ficou,
apanhou-o pela largueza da baga,
e apertou
e triturou
e torceu
e espremeu
e sacudiu
até que nada sobrou,
senão uma pocinha de azeite.
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raquel patriarca | vinteecinco.maio.doismiledoze
segunda-feira, 23 de abril de 2012
fotocionário VI: biblioteca [no dia mundial do livro]
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biblioteca: s.f. - do grego βιβλιοϑήκη, composto de βιβλίον "livro", e ϑήκη "depósito". biblioteca é todo espaço - concreto, virtual ou híbrido - destinado a guardar informação em qualquer tipo de formato. a representação do Paraíso, segundo Jorge Luís Borges. lugar encantado cheio de portas e janelas que dão para sabe-se lá onde, onde até as coisas mais escangalhadas acabam por fazer sentido. contém uma dimensão de infinitude: o individuo pode sair da biblioteca mas a biblioteca não sai do indivíduo.
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raquel patriarca | vinteeoito.maio.doismiledoze
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segunda-feira, 9 de abril de 2012
palavras para que vos quero, o terceiro
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"palavras para que vos quero"
3º encontro de literatura infanto-juvenil da s.p.a.
dia 14 de abril - biblioteca municipal almeida garrett
entrada livre.
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quinta-feira, 29 de março de 2012
ser poeta outra vez
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plantar palavras
sem terra nem vento
e beijar
as bochechas à lua cheia
inventar desvarios
e sonhar
todos os dias
em viver duas vidas e mais
outra vida e meia
tocar no cheiro dos dias
depois da chuva
e não ter as dúvidas
das pessoas com juizo
ter abraços longos
onde pode caber o mundo
e a alma em colagens
de pedaços de riso
sem razão e sem sentido
de ser assim
esdruxulamente
grande e serena e completa
e existir muito
num momento muito claro
e sentir o sol nos dedos
como se fosse poeta
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plantar palavras
sem terra nem vento
e beijar
as bochechas à lua cheia
inventar desvarios
e sonhar
todos os dias
em viver duas vidas e mais
outra vida e meia
tocar no cheiro dos dias
depois da chuva
e não ter as dúvidas
das pessoas com juizo
ter abraços longos
onde pode caber o mundo
e a alma em colagens
de pedaços de riso
sem razão e sem sentido
de ser assim
esdruxulamente
grande e serena e completa
e existir muito
num momento muito claro
e sentir o sol nos dedos
como se fosse poeta
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raquel patriarca | vinteenove.março.doismiledoze
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quarta-feira, 21 de março de 2012
ser poeta
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que nada mais sonhara -
nenhum outro horizonte
nenhuma outra meta -
só o ser, por inteira
e ao menos uma vez no ano,
nada menos que poeta
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que nada mais sonhara -
nenhum outro horizonte
nenhuma outra meta -
só o ser, por inteira
e ao menos uma vez no ano,
nada menos que poeta
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raquel patriarca | vinteeum.março.doismiledoze
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notícias do dia mundial da poesia
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e hoje, que é dia mundial da poesia, quero dar boas notícias …
vou publicar as ‘bichezas’! os ‘livros com bicho’ devem começar a infestar as livrarias lá para julho e estou tão contente que não me cabe um feijãozito… bem, não me cabe um feijãozito em lado nenhum!
estou em pulgas… (hehehehe. percebram? em pulgas… das bichezas… humm, pois.) estou em pulgas para re conhecer as minhas histórias, mas agora em forma de objecto lindo com páginas coloridas e com ilustrações e guardas e capa e lombada…
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(pausa para suspirar e sorrir e esquecer-me do que estava a dizer).
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e pronto. é isso. tinha que partilhar ou rebentava-se-me a cabeça e ainda me saltava um olho fora.. (olha que pouco poético...)
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um feliz dia da poesia!
e hoje, que é dia mundial da poesia, quero dar boas notícias …
vou publicar as ‘bichezas’! os ‘livros com bicho’ devem começar a infestar as livrarias lá para julho e estou tão contente que não me cabe um feijãozito… bem, não me cabe um feijãozito em lado nenhum!
estou em pulgas… (hehehehe. percebram? em pulgas… das bichezas… humm, pois.) estou em pulgas para re conhecer as minhas histórias, mas agora em forma de objecto lindo com páginas coloridas e com ilustrações e guardas e capa e lombada…
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(pausa para suspirar e sorrir e esquecer-me do que estava a dizer).
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e pronto. é isso. tinha que partilhar ou rebentava-se-me a cabeça e ainda me saltava um olho fora.. (olha que pouco poético...)
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um feliz dia da poesia!
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raquel patriarca | vinteeum.março.doismiledoze
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quinta-feira, 8 de março de 2012
curtas # 3 ou eles dizem que hoje é dia da mulher
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há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
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há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
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herberto helder | há cidades cor de pérola onde as mulheres [excerto]
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segunda-feira, 5 de março de 2012
curtas # 2
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é estranho este fenómeno de as bibliotecas terem todas cheiros diferentes enquanto as igrejas cheiram quase todas ao mesmo
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é estranho este fenómeno de as bibliotecas terem todas cheiros diferentes enquanto as igrejas cheiram quase todas ao mesmo
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raquel patriarca | cinco.março.doismiledoze
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
história antiga feito hoje
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era uma vez…
o joanete rabanete
com cabeça de alfinete
e cara de biscoito.
que era vizinho da frente
do chocolate larate
com nome de disparate
que vivia no número oito.
eram grandes
amigos de há muito tempo:
passeavam juntos,
partilhavam de tudo,
conheciam-se bem,
e não escondiam nada nada nada
um
do
outro…
excepto que
um era caprichoso
e o outro supersticioso,
mas qual deles era
o quê ou o porquê
não sabiam eles nem ninguém.
um dia -
sem estar sol nem ser feriado -
o joanete rabanete e o chocolate larate
passeavam nos arrabaldes do bairro,
lá para os lados do laranjal azul,
quando foram, de repente, atacados
por uma horda de jábastassins plim-plins
corridos das terras arrepiadas do sul.
muito assustados e atrapalhados
o joanete rabanete com cabeça de alfinete
e o chocolate larate com nome de disparate
correram pelo caminho de volta
a gritar que o fim do mundo andava à sólta
e tropeçavam e rebolavam
mas nem precisavam
que os jábastassins plim-plins
não vão daqui ali
sem papéis assinados,
dois atestados,
três decretos e afins.
correram, correram
muito depreeessa!
quem os via, dizia:
lá vai
o joanete larete com cabeça de disparete
e o chocolate rabanate com nome de alfinate!
chegaram a casa estourados,
coitados!
e esconderam-se logo, muito assustados.
um
na cave trancado, com um olho fechado
na sua cara de biscoito,
o outro
debaixo de um travesseiro da cama do quarto traseiro
da casa do número oito.
nunca mais ninguém os viu.
dizem por aí que o chocolate larate
por medo ou superstição
fez uma dieta de chás e temperos
com grandes desesperos
e agora está magrinho,
e o joanete rabanete
por capricho do acaso,
escreve papéis assinados, decretos e atestados,
nas terras arrepiadas do sul
onde hoje é meirinho.
era uma vez…
o joanete rabanete
com cabeça de alfinete
e cara de biscoito.
que era vizinho da frente
do chocolate larate
com nome de disparate
que vivia no número oito.
eram grandes
amigos de há muito tempo:
passeavam juntos,
partilhavam de tudo,
conheciam-se bem,
e não escondiam nada nada nada
um
do
outro…
excepto que
um era caprichoso
e o outro supersticioso,
mas qual deles era
o quê ou o porquê
não sabiam eles nem ninguém.
um dia -
sem estar sol nem ser feriado -
o joanete rabanete e o chocolate larate
passeavam nos arrabaldes do bairro,
lá para os lados do laranjal azul,
quando foram, de repente, atacados
por uma horda de jábastassins plim-plins
corridos das terras arrepiadas do sul.
muito assustados e atrapalhados
o joanete rabanete com cabeça de alfinete
e o chocolate larate com nome de disparate
correram pelo caminho de volta
a gritar que o fim do mundo andava à sólta
e tropeçavam e rebolavam
mas nem precisavam
que os jábastassins plim-plins
não vão daqui ali
sem papéis assinados,
dois atestados,
três decretos e afins.
correram, correram
muito depreeessa!
quem os via, dizia:
lá vai
o joanete larete com cabeça de disparete
e o chocolate rabanate com nome de alfinate!
chegaram a casa estourados,
coitados!
e esconderam-se logo, muito assustados.
um
na cave trancado, com um olho fechado
na sua cara de biscoito,
o outro
debaixo de um travesseiro da cama do quarto traseiro
da casa do número oito.
nunca mais ninguém os viu.
dizem por aí que o chocolate larate
por medo ou superstição
fez uma dieta de chás e temperos
com grandes desesperos
e agora está magrinho,
e o joanete rabanete
por capricho do acaso,
escreve papéis assinados, decretos e atestados,
nas terras arrepiadas do sul
onde hoje é meirinho.
raquelpatriarca|treze.janeiro.doismiledoze
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sábado, 24 de dezembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
colecção de documentos das artes cénicas ... a sequela!
para os afortunados que anteontem desfrutaram do privilégio de assistir ‘in loco’ aos efeitos embaraçosos de um inesperado apagão, foi um prazer estar convosco e contamos com a vossa presença hoje, no mesmo local e à mesma hora, para partilhar da magnífica Colecção das Artes Cénicas. para aqueles a quem a terça-feira não permitiu uma visita ao Arquivo Distrital do Porto, ouçam a voz do destino e venham aproveitar esta segunda oportunidade de conhecer a colecção. uns e outros podem espreitar aqui o teaser disponível no youtube, e mais informações na página do evento ou do Arquivo Distrital do Porto no facebook.
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joana moreira | raquel patriarca
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
colecção de documentos das artes cénicas
apresentação pública da colecção de documentos das artes cénicas
entre a música, o teatro, o cinema, a publicidade, os cartazes, os postais e os livros... há documentos para todos os gostos
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apresentação do espólio documental
dra. maria joão pires de lima | professora doutora maria da conceição meireles
descrição do projecto e leituras
joana moreira | raquel patriarca
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
photo grafia LVII
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"sossegada e colectivamente"
praia do poço da cruz - mira
vinteequatro.setembro.doismileonze
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"só depois, já tarde"
drave - serra da freita
catorze.fevereiro.doismilenove
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"sem vidro, reflexo ou rosto"
s. domingos - manteigas - serra da estrela
vinteecinco.maio.doismileoito
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raquel patriarca
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gosto de passear nos sítios fora da época
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gosto de passear nos sítios fora da época
.
praias desertas de pescadores rugosos e redes rompidas
gaivotas alinhadas em espera,
sossegada e colectivamente,
pela promessa de uma tempestade
.
caminhos de monte com gado nenhum só a sombra de
quem passou de madrugada pela
morrinha das horas e que há-de voltar
só depois, já tarde, longe do toque dos sinos
.
calçadas vazias de gente sem eco de passos corridos
janelas sem vidro, reflexo ou rosto
beirais sem amparo que se empreste,
fora de época, a pessoa alguma
.
gosto de passear nos sítios fora da época
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praias desertas de pescadores rugosos e redes rompidas
gaivotas alinhadas em espera,
sossegada e colectivamente,
pela promessa de uma tempestade
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caminhos de monte com gado nenhum só a sombra de
quem passou de madrugada pela
morrinha das horas e que há-de voltar
só depois, já tarde, longe do toque dos sinos
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calçadas vazias de gente sem eco de passos corridos
janelas sem vidro, reflexo ou rosto
beirais sem amparo que se empreste,
fora de época, a pessoa alguma
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raquel patriarca | vinteequatro.setembro.doismileonze
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
tento não pensar muito nas coisas
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tento não pensar muito nas coisas
que quero fazer porque - as mais das vezes - se penso, penso demais e não as faço. e, se não as faço, fica-me uma sensação de perda por nunca as ter feito. como uma constante inconclusão de mim própria. outras vezes faço-as, sem pensar, mas na verdade não as devia fazer. e depois de já as ter decidido e começado, não consigo voltar atrás. numa espécie de mudança de ideias que não muda nada. como se cada decisão implicasse a recompensa ou o castigo de a ver realizada. feita. cumprida. e agora que penso nisso,
pergunto-me o que estou a fazer - e porquê - que não tenho ideia de o ter decidido
.
tento não pensar muito nas coisas
que quero fazer porque - as mais das vezes - se penso, penso demais e não as faço. e, se não as faço, fica-me uma sensação de perda por nunca as ter feito. como uma constante inconclusão de mim própria. outras vezes faço-as, sem pensar, mas na verdade não as devia fazer. e depois de já as ter decidido e começado, não consigo voltar atrás. numa espécie de mudança de ideias que não muda nada. como se cada decisão implicasse a recompensa ou o castigo de a ver realizada. feita. cumprida. e agora que penso nisso,
pergunto-me o que estou a fazer - e porquê - que não tenho ideia de o ter decidido
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raquel patriarca | vinteedois.setembro.doismileonze
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
photo grafia LVI
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"sentar a vontade"
dunas de erk chebbi - sahara - marrocos
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raquel patriarca | dezaseis.julho.doismileonze
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
photo grafia LV
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"uma família de imilchil"
fotografia de raquel patriarca de uma tela de david minguillon
riad aguaviva - medina de marrakech - marrocos
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doze.julho.doismileonze
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
o homem de Imilchil
.
Conheci um homem em Imilchil
que não era pastor, nem padeiro nem tecelão.
E isso, por si só, dizia tudo
como se a diferença fosse o seu
traço mais definidor.
.
Conheci um homem em Imilchil
que tinha uma Petri 7S de 63.
Não sabia explicar de onde
viera o objecto que lhe definia
os dias, apenas que lho tinha deixado
o pai junto com a vocação
de ser fotógrafo da aldeia.
.
Vivia numa casa apertadinha que
ofereceu sem reservas ou cerimónias.
Nas paredes de terracota e
no meio dos livros e jornais
espalhavam-se as imagens de
dezenas de vidas.
.
Vi um soldado em despedida, fardado,
orgulhoso e resoluto,
assustado;
uma noiva sorridente e ansiosa, sentada
com as mãos no regaço,
envergonhada;
uma tenda erguida na montanha e um
homem apoiado no cordame o rosto como
um nó;
uma família composta em pose, as
mulheres à esquerda e os homens à direita,
as crianças na frente. No fundo, em pé,
a avó.
.
O cheiro dos papéis amarelecidos
misturava-se com o dos líquidos
desconhecidos e emulsões estranhas
com que as vidas se tornavam
imagem latente. O cheiro da missão
única, respeitável, grata
de guardar tantas memórias de tantas
vidas em imagens e cristais de prata.
.
Perguntei-lhe se o podia fotografar.
Assentiu, alegre e generoso.
Sentou-se sobre os calcanhares
no chão a máquina pousada na coxa,
a boca séria os olhos a sorrir.
.
Conheci um homem em Imilchil
capaz de reconhecer a angústia que
se esconde num sorriso, a saudade
no mais pequeno gesto, a alegria
secreta num olhar.
.
Escondia um sonho secreto só dele:
ver uma fotografia do mar.
.
Conheci um homem em Imilchil
que não era pastor, nem padeiro nem tecelão.
E isso, por si só, dizia tudo
como se a diferença fosse o seu
traço mais definidor.
.
Conheci um homem em Imilchil
que tinha uma Petri 7S de 63.
Não sabia explicar de onde
viera o objecto que lhe definia
os dias, apenas que lho tinha deixado
o pai junto com a vocação
de ser fotógrafo da aldeia.
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Vivia numa casa apertadinha que
ofereceu sem reservas ou cerimónias.
Nas paredes de terracota e
no meio dos livros e jornais
espalhavam-se as imagens de
dezenas de vidas.
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Vi um soldado em despedida, fardado,
orgulhoso e resoluto,
assustado;
uma noiva sorridente e ansiosa, sentada
com as mãos no regaço,
envergonhada;
uma tenda erguida na montanha e um
homem apoiado no cordame o rosto como
um nó;
uma família composta em pose, as
mulheres à esquerda e os homens à direita,
as crianças na frente. No fundo, em pé,
a avó.
.
O cheiro dos papéis amarelecidos
misturava-se com o dos líquidos
desconhecidos e emulsões estranhas
com que as vidas se tornavam
imagem latente. O cheiro da missão
única, respeitável, grata
de guardar tantas memórias de tantas
vidas em imagens e cristais de prata.
.
Perguntei-lhe se o podia fotografar.
Assentiu, alegre e generoso.
Sentou-se sobre os calcanhares
no chão a máquina pousada na coxa,
a boca séria os olhos a sorrir.
.
Conheci um homem em Imilchil
capaz de reconhecer a angústia que
se esconde num sorriso, a saudade
no mais pequeno gesto, a alegria
secreta num olhar.
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Escondia um sonho secreto só dele:
ver uma fotografia do mar.
.
raquel patriarca | nove.setembro.doismileonze
.
terça-feira, 26 de julho de 2011
photo grafia LIV
.
"silêncio"
dunas de erk chebbi - sahara - marrocos
fotografia|pedro.miguel
dezassete.julho.doismileonze
.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
curtas # 1 ou isto é lindo...
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vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção.
.
vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção.
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José Luís Peixoto
impossível é não viver | excerto
2011
.
terça-feira, 21 de junho de 2011
photo grafia LIV
"eu não fui"
(voltz, christian - eu não fui. trad. dora isabel batalim. porto: kalandraka, 2010)
.
"a crocodila mandona"
(carvalho, adélia - a crocodila mandona. porto: tcharan!....2011)
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.![]()
"aquiles, o pontinho"
(risari, guia - aquiles, o pontinho. il. marc taeger; trad. elisabete ramos. lisboa: kalandraka, 2008)
.
fotografias|antónio.lima.reis
quinze.junho.doismileonze
.
photo grafia LIII
.
"intervalo"
(ou em que grau de cansaço mental se começa a fotografar os próprios pés?)
gabinete da ponta - quarto piso - adp - rua das taipas - porto
r.p.|vinteeum.junho.doismileonze
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
poema pial
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toda a gente que tem as mãos frias
deve metê-las dentro das pias.
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pia número um
para quem mexe as orelhas em jejum.
.
pia número dois,
para quem bebe bifes de bois.
.
pia número três,
para quem espirra só meia vez.
.
pia número quatro,
para quem manda as ventas ao teatro.
.
pia número cinco,
para quem come a chave do trinco.
.
pia número seis,
para quem se penteia com bolos-reis
.
pia número sete,
para quem canta até que o telhado se derrete.
.
pia número oito,
para quem parte nozes quando é afoito.
.
pia número nove,
para quem se parece com uma couve.
.
pia número dez,
para quem cola selos nas unhas dos pés.
.
e, como as mãos já não estão frias,
tampa nas pias!
.
toda a gente que tem as mãos frias
deve metê-las dentro das pias.
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pia número um
para quem mexe as orelhas em jejum.
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pia número dois,
para quem bebe bifes de bois.
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pia número três,
para quem espirra só meia vez.
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pia número quatro,
para quem manda as ventas ao teatro.
.
pia número cinco,
para quem come a chave do trinco.
.
pia número seis,
para quem se penteia com bolos-reis
.
pia número sete,
para quem canta até que o telhado se derrete.
.
pia número oito,
para quem parte nozes quando é afoito.
.
pia número nove,
para quem se parece com uma couve.
.
pia número dez,
para quem cola selos nas unhas dos pés.
.
e, como as mãos já não estão frias,
tampa nas pias!
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fernando pessoa|1888-1935
quinta-feira, 9 de junho de 2011
a chuva
.
chove.
chove muito imenso.
uma chuva intencional e substantiva que – mais do que
desprender-se do céu abandonada a um guião pré aprendido
nos ciclos genéticos secretos da água –
vem precipitada em franjas gordas e verticais a ver se esmaga
as planícies e as ondas do mar.
.
tenho saudades de uma chuva andadeira e confortável,
que venha regar-me as magnólias e as ervas de cheiro.
uma água chuvente sossegada e silenciosa,
sem dúvidas e sem perguntas. falta-me essa atmosfera húmida,
pálida e plácida, com cheiros castanhos que me fazem dormente.
preguiçosa.
.
chove tanto que sinto a cidade ceder e afundar, os telhados
perto da calçada, numa bidimensionalidade forçada
em que as superfícies visíveis das coisas não têm volume
porque não importam. e sobra só a chuva em forma de muitas
águas. caídas em muitos ciclos de tempo.
não sei de onde lhe vem a autoridade e a força incondicionais.
um carácter que assusta e faz inveja
porque toma conta de mim. mesmo sendo água e nada mais.
.
chove muito imenso e o cantar descompassado nas telhas
e nas janelas, traz contos antigos em testemunhos de outras
monções. chovem gotas que um dia rolaram da pele
escamosa de um dinossauro e que caíram em cidades perdidas.
chovem as legendas líquidas de milhares de milhões de vidas.
.
chove tanto que me chove por dentro. a água cobre e ensopa as
máscaras e os figurinos que me ocupam os corredores
que não quero ter à mostra. depois escorre-se e lava tudo
na enxurrada. fica o vazio onde ecoam os
silêncios inconvenientes das perguntas que se fazem
quando não está ninguém a ver.
ensurdecem-me as dúvidas e incomoda-me a inocência de não saber
o que serei quando crescer. ensurdece-me a chuva que não pára,
e fico presa à convicção que não há nada a fazer,
e que hoje o único verbo com propriedade de acção, é chover.
.
pouso o lápis, abro as portadas grandes da varanda e saio.
estou descalça. e o chão está seco.
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chove.
chove muito imenso.
uma chuva intencional e substantiva que – mais do que
desprender-se do céu abandonada a um guião pré aprendido
nos ciclos genéticos secretos da água –
vem precipitada em franjas gordas e verticais a ver se esmaga
as planícies e as ondas do mar.
.
tenho saudades de uma chuva andadeira e confortável,
que venha regar-me as magnólias e as ervas de cheiro.
uma água chuvente sossegada e silenciosa,
sem dúvidas e sem perguntas. falta-me essa atmosfera húmida,
pálida e plácida, com cheiros castanhos que me fazem dormente.
preguiçosa.
.
chove tanto que sinto a cidade ceder e afundar, os telhados
perto da calçada, numa bidimensionalidade forçada
em que as superfícies visíveis das coisas não têm volume
porque não importam. e sobra só a chuva em forma de muitas
águas. caídas em muitos ciclos de tempo.
não sei de onde lhe vem a autoridade e a força incondicionais.
um carácter que assusta e faz inveja
porque toma conta de mim. mesmo sendo água e nada mais.
.
chove muito imenso e o cantar descompassado nas telhas
e nas janelas, traz contos antigos em testemunhos de outras
monções. chovem gotas que um dia rolaram da pele
escamosa de um dinossauro e que caíram em cidades perdidas.
chovem as legendas líquidas de milhares de milhões de vidas.
.
chove tanto que me chove por dentro. a água cobre e ensopa as
máscaras e os figurinos que me ocupam os corredores
que não quero ter à mostra. depois escorre-se e lava tudo
na enxurrada. fica o vazio onde ecoam os
silêncios inconvenientes das perguntas que se fazem
quando não está ninguém a ver.
ensurdecem-me as dúvidas e incomoda-me a inocência de não saber
o que serei quando crescer. ensurdece-me a chuva que não pára,
e fico presa à convicção que não há nada a fazer,
e que hoje o único verbo com propriedade de acção, é chover.
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pouso o lápis, abro as portadas grandes da varanda e saio.
estou descalça. e o chão está seco.
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r.p.|oito.junho.doismileonze
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terça-feira, 7 de junho de 2011
açúcar a cair do céu
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parte do frio que me vem aos ossos
nas noites de Inverno,
é saudade dos dias que
me colhias da cama -
embrulhada nos cobertores
com muito jeitinho -
e me levavas à janela
para eu ver o açúcar a cair do céu.
aqueço na memória do teu abraço
à volta dos cobertores,
com muito jeitinho.
parte do frio que me vem aos ossos
nas noites de Inverno,
é saudade dos dias que
me colhias da cama -
embrulhada nos cobertores
com muito jeitinho -
e me levavas à janela
para eu ver o açúcar a cair do céu.
aqueço na memória do teu abraço
à volta dos cobertores,
com muito jeitinho.
r.p.|junho.doismiledez
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o dia da criança foi assim!
storytelling no dia mundial da criança
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"vamos escolher"
"e acomodar"
"era uma vez..."
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"eu não fui!"
"era outra vez..."
."eram muitas vezes..."
."o cuquedo!... ai que medo!"
."xiiiiiiiii!"
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biblioteca - escola básica da torrinha - porto
fotografias|antónio josé lima reis
quarta-feira, 18 de maio de 2011
manuel antónio pina

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Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.
Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
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gigões e anantes|excerto
manuel antónio pina
prémio camões|2011
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
2º encontro de literatura infanto-juvenil da s.p.a.
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"2º encontro de literatura infanto-juvenil da s.p.a."

"ana margarida ramos e ana luísa amaral"

"um homem à pesca"

"valter hugo mãe e afonso cruz"

"carlitos"

"luísa dacosta, emílio remelhe e cristina valadas"
"rui spranger"

"manuel antónio pina e álvaro magalhães"
"patrícia queirós"
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fotografias: r.p.|quinze e dezasseis.abril.doismileonze
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